Avós ♡ Grant’s Stand Together


grants granst_2Conhecem o Festival Grant’s Stand Together? Não? Passo a explicar.

É um festival de storytelling. Não é um dos demais onde há show off aka #euzinhabuégiraadartudonofestival. É um festival de histórias. Histórias de vida. Verídicas e contadas pelos respectivos donos das mesmas. Cruas. Sem floreados.

Em Lisboa acontece no Cinema São Jorge, dias 23 e 24 de Junho (está quase, quase), e no Porto, na Fundação de Serralves, nos dias 1 e 2 de Julho.

Como uma das embaixadoras do evento, venho oferecer 3 bilhetes duplos, válidos para uma das sessões, de um dos dias, à vossa escolha. Para se habilitarem a ganhar basta fazerem like no facebook e instagram da Grant’s Whisky, seguirem o blog no instagram, e preencherem o formulário abaixo (mesmo no final do post). Muito simples! :)

O passatempo termina amanhã (quarta-feira) às 23h59. Os vencedores vão ser contactados no dia seguinte por e-mail. Boa sorte a todos!! :)

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E não podia falar de histórias sem partilhar uma minha. Como romântica que sou, partilho uma história de amor, daquelas que são para sempre, e que me aquece o peito. Sobre os meus avós maternos, que são as pérolas da minha vida. Novíssimos, lindos, com coração de ouro, e do mais hilariante que pode haver.

Filha de pais separados desde muito cedo, tive a sorte de os meus avós assumirem o papel principal neste filme que é a minha vida. Apesar de ser filha única, com grande pena minha, e não ter sido excessivamente mimada pelos meus pais (para não dizer mimada de todo), confesso-me culpada de ter excesso de mimo dos meus avós. Guilty as charged. Mimo, muito mimo para a primeira neta e menina dos seus olhos. Fui contemplada com todos os caprichos a que a minha mãe e os seus irmãos não tiveram direito. Paciência sem fim para as minhas birras e birrinhas, choros, gritarias, e dramas dignos de Óscar de melhor actriz infantil. Oh se eu era dramática!

Aturaram tanta coisa da netinha querida, que os meus primos, todos eles vindos depois de mim, não tiveram direito a tanta paciência… acho que esgotei o poço, pois a paciência ao invés do amor não é um poço sem fundo.

Desde mobilizar funcionários de lojas de brinquedos em plena altura natalícia, porque queria a Barbie do topo da pirâmide (apesar de existirem 100 iguais mesmo por baixo daquela), tal era a gritaria que proporcionava a quem quisesse ouvir, com a minha avó a desfazer-se em desculpas, funcionários a rir, e o meu avô a jurar aos santos que nunca mais me levava para lado nenhum, passando por, não poder ver um parzinho de meias com folhos à venda em lado nenhum, que obrigava a minha avó a comprar e não saía da maldita loja enquanto não as tivesse nos pés (ao ponto de ainda hoje, sempre que uso uns folhinhos nos pés oiço “ai essas meias… as dores de cabeça que já me deram…”… eu era uma miúda tramada. Acho que a minha educação valeu aos meus avós muitas dores de cabeça, e muitos cabelos brancos. Mas a verdade é que fizeram de mim quem sou hoje, e tenho muito orgulho na pessoa que me tornaram. E neles acima de tudo.

Mas se hoje em dia, os meus avós adoram envergonhar-me com estas pequenas histórias de diva miniatura, e todos nos rimos imenso nos almoços e jantares, há uma outra história que é só a maior D E L I C I A de sempre. E nesta, a protagonista não sou, mas sim o meu avô, personagem hilariante e maravilhosa, criatura digna de estudo científico, porque é uma comédia.

Ora bem, os meus avós são Alentejanos. Ai não!! Vindos de um meio pequeno para esta grande cidade que é Lisboa. O meu avô é um espirito livre, não se podia estar mais a cagar (e desculpem a expressão, mas ele não diria diferente) para as pessoas e o que elas pensam. Ele faz o que quer, quando quer, e pouco se preocupa com o que vão pensar. Como ele próprio diz “não tenho idade para me preocupar com o que as pessoas pensam de mim”, mas eu oiço isto desde miúda, portanto…

A minha avó, não podia ser mais diferente. Sempre preocupada com tudo e com todos, com as suas opiniões e o que vão pensar. Isto dá uma combinação incrível. Um fartote de rir, para quem vê de fora.

Ele faz o que quer, e ela fica de nervos em franja, cheia de vergonha, enquanto nós rimos, quer da atitude infantil de um, quer da vergonha alheia do outro. Ahh que belo.

Pois então: rumamos ao Alentejo para o casamento de uma prima (uma das muitas primas que a malta que é do Alentejo parece sempre ter). Lá foi a família toda, rumo à aldeia para o casamento da cachopa, que não víamos há já algum tempo. Chegamos lá, matamos saudades, metemos a conversa em dia, histórias e mais histórias, e no dia seguinte o dito casamento.

Todo pomposo, porque esta malta da aldeia não faz a coisa pela metade, e quando casa é acontecimento extraordinário, que se vai falar durante muito tempo como a festa do ano! Posto isto, era de arromba. Iam todos e mais alguns, família que eu nunca tinha visto, vizinhos, amigos e amigos dos amigos, aquilo era gente que nunca mais acabava, parecia que estava o Alentejo todo naquele casamento.

O meu avô que gosta de festa e de paródia, e é pouco dado a “fretes”, acha uma seca a parte da cerimónia… (quem nunca… ), decidiu skipar essa parte e ficar a beber uns copos algures no café da esquina, com mais uns quantos amiguitos que também tinham as palavras secas.

Chegando a altura do copo de água, a festa estava instalada, os convidados na mesa e o burburinho era geral. O meu avô decidiu animar um pouco mais a coisa, e resolveu surpreender tudo e todos, com a sua nova indumentária “sacada” na igreja, enquanto os demais ouviam o Sr. Padre a casar os noivos. Tanto pecado junto, meu deus.

Pois bem que aparece ele, vestido de padre, com terço e tudo, todo animado, e lá ia ele de mesa em mesa a rir e a brincar, enquanto benzia os convidados. Todos riam, incluindo a nossa mesa, a da família envergonhada, e atrevo-me mesmo a dizer que éramos os que mais riamos, tirando a minha avó que estava pálida, quase a desfalecer, morta de vergonha.

A palhaçada prosseguiu até dar de caras com a mesa dos noivos, onde estava quem? Pois é… o padre que os casou, porque na aldeia todos se conhecem, e o sr também foi um dos convidados de honra do casamento. O meu avô ficou cheio de vergonha, e entre risadas nervosas, e pedidos de desculpa, ficou mais descansado porque o padre achou imensa graça e ainda lhe disse que não devia brincar com algumas coisas, mas que da vida o que se levava era o que se aproveitava, e devíamos encarar sempre tudo de sorriso nos lábios. Acabaram os dois sentados juntos, vestidos de igual, sem distinguir o original da réplica, a beber copos, e foi um pagode.

Guardo esta história com muito carinho e amor, e não consigo falar dela sem me rir às gargalhadas. Tenho muita sorte, por ter estes dois na minha vida. Os meus amores lindos. Devo-lhes muito.

Tenho neste momento a minha avó a ser operada, porque a vida às vezes nos prega partidas, mas relembrar esta história deliciosa, só me faz ter ainda mais a certeza, que não há braços mais certos para se voltar, que os dos nossos avós. ♡ Muito positivismo aqui deste lado!! Para dar força ao meu amor mais lindo!

*** PASSATEMPO ENCERRADO ***

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4 Comments

Inês Lopes | witkonijn.net
Reply 21/06/2017

Gostei tanto. Até fiquei com a lágrima no canto do olho. Temos um amor parecido. Uma recuperação rápida! Beijinhos
http://pt.witkonijn.net

    accordingtopanda
    Reply 22/06/2017

    Obrigada boneca... acho que este é o melhor amor que se pode ter :) Um beijinho*

Armanda Antunes
Reply 29/06/2017

Que texto lindo! ❤ Sigo o seu blog à muito tempo mas acho que nunca comentei. É estranho quando não se conhece pessoalmente a pessoa mas as mesmo tempo conheço-a do que partilha conosco e admiro-a muito e desejo-lhe tudo de bom. Uma boa recuperação para a sua avó. Beijinho, Armanda

    accordingtopanda
    Reply 06/07/2017

    Oh Armanda, muito obrigada pelas palavras simpáticas! ❤ Esteja a vontade para comentar sempre que quiser :)
    E obrigada pela força à avó! Já foi operada e está já em casa a recuperar! Agora é enchê-la de mimo!! Um grande beijinho e uma vez mais obrigada!!*

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